Atoleiro


Leio sua coluna para enfrentar meus problemas. Resolvi escrever porque estou muito agoniada, sem um namorado, sem amigos. Tenho 33 anos. Dizem que pareço ter menos e sou bonita. Meu emprego é bom, mas sinto um imenso vazio. Sempre sonhei em me casar e ser mãe, porém sinto que a possibilidade de realizar o sonho está cada vez mais distante: a idade avançando e nenhum pretendente interessante.

Daqui a pouco, não poderei mais ter filhos por razões biológicas. Já tive alguns relacionamentos sérios e cheguei a pensar em casamento, porém sempre houve algo estragando tudo: uma traição, um abandono, um desencanto mútuo. Sinto que não sei escolher o homem certo ou que não sei manter o relacionamento. Sinto que todos seguiram sua vida, menos eu. Minhas amigas se casaram, tiveram filhos ou se mudaram.

Além de não conseguir namorar, não consigo mais fazer amigos. Sei que isso é, em parte, voluntário. Já me vangloriei de estar sozinha, de não ter ninguém para atrapalhar meu sossego. Só que agora me cansei disso.  Às vezes me olho no espelho e sinto que estou perdendo tempo. Daqui a pouco a juventude se foi. O que eu faço? Tenho relações com qualquer homem para engravidar? Vou a um banco de sêmen? Ou continuo nesse espera agoniada e pouco promissora?

Nem todo mundo nasce para se casar, embora haja quem imagine o contrário. O fato de sempre ter existido na sua vida amorosa “algo estragando tudo” tem de ser levado em conta. Você talvez não tenha vocação para o casamento, que é uma aposta particularmente difícil.

O que me chamou atenção no seu e-mail foi o número de vezes que você utilizou a palavra sinto. Será que você tem medo de ser afirmativa? Talvez seja isso. O fato é que você sente mais do que você pensa sobre os próprios sentimentos. Fica exposta ao que der e vier. Fala como se traição, abandono e desencanto caíssem do céu.

Por outro lado, não vê saída para você fora do que antigamente se convencionou ser o destino da mulher: o casamento e a maternidade. Assim, pensa numa relação com um homem qualquer para engravidar ou pensa no banco de sêmen. Não sou de dar conselho, mas me permito dizer que, na situação atual, é melhor não engravidar. A criança vai ser a depositária de todas as suas expectativas e você vai se frustrar.

Você está atolada e não quer mais ficar. Então procure descobrir por que você só vê saída na via convencional. O que tem isso a ver com as suas origens, com o que os seus antepassados faziam e diziam?


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