Olhos de Liz

Devo confessar meu amor pelos cronistas da Veja,

Diogo Mainardi e Tony Belloto.

Este ultimo em especial e meu favorito, pois escreve cronicas muito bem redigidas, amarradas e elaboradas. Nao tenho um decimo do seu talento de narrador, mas gostaria de obter seu olhar nesse texto um dia.

Sou obrigada a contestar que a penultima cronica escrita sobre ‘ Os Olhos de Liz’ no dia 25 de marco do ano corrente, nao vao de encontro as minhas aspiracoes de olhares cativantes como os de nossa querida ‘ gata em teto de zinco quente’.

Assim como voce, querido Tony – creio ter essa liberdade ja que e muito conhecido pelo publico – tambem me levanto e espremo o tubo de pasta de dente largo e pratico que tenho no banheiro.

Nao posso me dar ao luxo de conferir rugas, ja que preconizo os 40 e que indubitavelmente carregam-nas como premio por ter avancado tanto na vida.

Mas nao deixo de dar uma boa conferida, ao rosto que me acompanha em todas as manhas. A pele nao esta la aquela coisa, porem, e firme e forte, ainda!

Sinto-me triste, nao pelas rugas, mas por algo que me cerca e veja bem – nao e somente o periodo da manha que me deprime e me traz melancolia- mas meus ultimos dias.

Nao consigo achar tanto a resposta a essa pergunta, quanto os acentos da lingua portuguesa no meu teclado japones. Pra mim e a morte computadores sem acentos e sinais de pontuacao!!!!!!

Voltando ao que me trouxe a esse simples comentario, procuro sempre estar de bom humor, mas confesso que os deslizamentos no Rio ou no Parana ja nao me sensibilizam tanto quanto antes. Vejo aqui, meu ponto de insensibilidade aflorando por todos os poros do meu cerebro. Ver aquelas pessoas chorando dizendo que foi Deus que quis assim e que deveriamos ter mais cuidado onde construimos nossas casas, ja nao chocam tanto. Sao fatos inerentes a cultura brasileira na epoca das chuvas.

O governo de Dilma agora mais se preocupa em conversar sobre problemas exteriores e com presidentes modernos e dubios do que se preocupar com pobres moradores de morros.

Tambem nao me importo mais com a Lei da ficha limpa aprovada ou nao pelo STF, revogando o perdao a politicos brasileiros. ARGH! E deprimente ver tais emendas serem aprovadas e o povo, o povo no eterno carnaval Brasil-sofre mas sempre sorrindo.

Os terriveis ataques a Libia, tanto por americanos quanto franceses e ingleses, so tem a demonstrar uma coisa. Ali existe algo muito interessante que dispersou a atencao da galera do resto do mundo. Serao riquezas naturais centralizadas na mao de Kadafi e que desesperam as forcas imbativeis do G8?

Talvez me interessem sim, pois o ocidente mostra-se mais uma vez bonzinho, e os orientais mais uma vez desumanos e incontrolaveis. E esse tipo de historinha me tira da poltrona de preocupacao.

Mas algo me comove profundamente, nao sei se por estar perto, ou por presenciar a luta das pessoas, mas a luta contra radiacao continua a ser uma especie de realidade imposta para mim. Nao se tem escolhe, voce vive a radicacao, voce le sobre radiacao, voce bebe as vezes, agua com radiacao.

O que faz de uma pessoa que casou oito vezes ter um olhar ingles violeta tao admirado? A isso nao se tem respostas…

E o olhar de Liz infelizmente nao demonstra um milionesimo do que pode vir a ser a tristeza de um olhar.

Acho que o olhar e o mais importante centro regulador da nossa alma, mas os de Elisabeth – alem de terem roubado o excepcional papel de Marilyn Monroe em Cleopatra, devido as drogas – demonstram uma atriz infeliz, tambem drogada, que viveu a sombra de uma vida na Brodway.

Os olhares de criancas contaminadas com plutonio, numa proporcao maior permitida a um adulto em um ano, na provincia de Miyagi sao mais tristes e mais reais. Esses olhares violetas, com uranio ou com plutonio, podemos assim dizer, veem o medo da morte que nossa querida Liz nunca sentiu em sua carreira glamurosa, no entanto, decadente.


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