Dia seguinte

Não sei se o mundo amanheceu mais seguro no dia seguinte à morte de Bin Laden, mas com certeza o Brasil acordou mais justo e digno no dia seguinte à votação dos direitos gays pelos ministros do Supremo. Não são muitas as vezes em que a gente pode se orgulhar de viver no Brasil, e essa foi uma delas. Os Juízes do Supremo deram um show de bola (e de cidadania) ao reafirmarem o caráter democrático e laico do estado brasileiro.

De nada adiantaram as lamúrias dos conservadores, os grunhidos dos preconceituosos, os muxoxos dos radicais, as caretas dos reacionários e as ameaças dos fundamentalistas religiosos, resmungando como vampiros à proximidade da luz da manhã. Todos os seus frágeis argumentos e ridículas artimanhas – como o apego à palavra da Constituição, que diz reconhecer a união estável de “homem e mulher” e não a de “homem e homem”, ou a de “mulher e mulher”, como se a Constituição fosse uma espécie de Bíblia e não um conjunto de leis representativas dos anseios, direitos e deveres do povo – foram varridas do mapa pela atuação lúcida, democrática, secular e iluminista dos ministros.

Ou alguém ainda acredita que homem com homem dá lobisomem?

Que seja esse o primeiro de uma longa série de dias seguintes mais livres e felizes. Sim, os direitos reconhecidos dos homossexuias são como uma estaca de madeira no coração do preconceito. Esse é o Brasil que nós queremos. E que os homofóbicos amanheçam com as bocas cheias de formigas. Gays.

Ao som de Beautiful Day, do U2

Por Tony Bellotto Tags: união civil entre gays

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