'Amor e Revolu��o' trata de momentos cr�ticos da nossa hist�ria

'Amor e Revolu??o' relembra momento importantes da hist?ria do Brasil. Foto: TV Press

O autor n?o parece conseguir transportar toda a pesquisa em que embasa a trama para os lares dos telespectadores com naturalidade
Foto: TV Press

Pedro Cherques

Aproveitar o momento hist?rico para emplacar uma novela pode ser uma boa estrat?gia. A elei??o de Dilma Rousseff como presidente do Brasil no come?o do ano, trouxe novamente ? tona um assunto que ainda n?o parece encerrado. Dilma participou ativamente da luta contra o golpe e o regime militar e por isso foi torturada. Uma de suas prioridades ? implantar a Comiss?o da Verdade, destinada a esclarecer os casos de viola??o de direitos humanos ocorridos durante os anos de chumbo. E ? exatamente neste universo que se passa Amor e Revolu??o, do SBT. Com um alto investimento, a novela mergulha na realidade da ditadura militar - entre 1964 e 1985 - mostrando o que aconteceu nos por?es do poder.

Apesar deste conveniente hist?rico, n?o ? s? de rela??es pol?ticas e de sintonia com o tempo que se baseia o sucesso ou o fracasso de uma telenovela. Com um texto pouco fluido, Thiago Santiago - autor de produ??es de sucesso na Record, como Mutantes e Caminhos do Cora??o - n?o parece conseguir transportar toda a pesquisa em que embasa a trama para os lares dos telespectadores com naturalidade. Em alguns momentos, as cenas parecem retiradas de algum texto de teatro infantil ou at? de livros did?ticos escolares. E, mesmo com os ventos a favor, Amor e Revolu??o fica impedida de conseguir bons ?ndices de audi?ncia.

A aparente obsess?o de explicar todas as a??es feitas no folhetim comprometem a dire??o de Reynaldo Boury. Nos di?logos principais, os atores parecem deslocados e n?o vivem suas cenas com a fidelidade esperada. O romance entre o militar tradicional de fam?lia, Jos? Guerra, de Cl?udio Lins, com a ativista de esquerda, Maria Paix?o, de Graziella Schmitt, mesmo que seja dramaticamente interessante se perde na inseguran?a de seus protagonistas. Apesar disto outros fatores ajudam a fazer o mergulho nos tristes anos de chumbo. A trilha sonora conta com can??es de artistas que atuaram contra o regime e sofreram com as imposi??es da ditadura militar. S?o m?sicas que servem perfeitamente para formar o pano de fundo de personagens promissores na trama, como o destemido guerrilheiro Batisteli, interpretado por Licurgo Sp?nola.

As desumanas torturas descritas pelas v?timas da luta pol?tica nos depoimentos finais de cada cap?tulo, s?o descritas sem censura. Mesmo que as cenas de viol?ncia exageradamente realistas possam ter sua quantidade diminu?da, visando o aumento da audi?ncia do folhetim.

Amor e Revolu??o procura passar a impress?o de que n?o havia op??o para aquela gera??o, a n?o ser a luta armada. Seus personagens, n?o t?o bem executados, se inserem no contexto de que n?o se consolida uma democracia com cad?veres insepultos, como disse Maria Am?lia Teles em um dos depoimentos. Se uma telenovela pode ser de utilidade p?blica, Amor e Revolu??o, apesar de algumas ressalvas, trata de um tema que n?o deve ser esquecido nem ignorado.

Amor e Revolu??o - SBT - Segunda a sexta, ?s 22h15.

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