Candidato ao FMI: Am�rica Latina est� sub representada no �rg�o

BBC Brasil

Candidato ? dire??o do Fundo Monet?rio Internacional (FMI), o presidente do Banco Central do M?xico, Agust?n Carstens, diz que a Am?rica Latina est? sub-representada no ?rg?o e que a elei??o de um n?o-europeu ao cargo m?ximo do Fundo pode ajudar a solucionar a crise econ?mica na Europa. "Algu?m que venha de outra regi?o do mundo, com um ponto de vista mais objetivo, poderia trazer ideias e solu??es que os europeus podem n?o considerar (...) Se um europeu p?de comandar a ajuda do FMI ? Am?rica Latina anos atr?s, por que um latino-americano n?o pode ajudar a Europa a sair da crise?", questiona Cartens, em entrevista ? BBC Brasil.

Em campanha internacional por sua candidatura, Carstens se reuniu nesta quarta-feira em Bras?lia com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. A vinda do mexicano ocorre dois dias ap?s visita similar da ministra francesa das Finan?as, Christine Lagarde, tamb?m candidata ? dire??o do FMI.

Mantega disse que o governo s? anunciaria seu voto ap?s se reunir com todos os candidatos - por ora, contudo, apenas o mexicano e a francesa se lan?aram ? disputa. O Fundo deve escolher o sucessor do franc?s Dominique Strauss-Khan, preso em maio nos Estados Unidos acusado de agredir sexualmente uma camareira, at? o dia 30 deste m?s.

Leia os principais trechos da entrevista com Carstens, que j? ocupou a presid?ncia do Comit? de Desenvolvimento do Banco Mundial e foi o diretor-executivo do FMI para M?xico, Espanha, Venezuela e Am?rica Central.

BBC Brasil - Quais seriam suas principais metas caso seja escolhido o novo diretor-gerente do FMI?
Agust?n Carstens - A principal seria manter uma institui??o coesa e leg?tima. Uma institui??o para 187 membros, em que todos se sintam representados e sejam igualmente tratados. Al?m disso, o FMI precisa ampliar seu entendimento sobre o papel da liquidez na economia global. As interrup??es bruscas na liquidez t?m sido um grande fator no desencadeamento da crise atual. O Fundo deve adaptar seus instrumentos para responder melhor a essas interrup??es e precisa ampliar sua vigil?ncia no setor financeiro. Hoje sabemos que esse setor pode ser um elo muito fr?gil e gerar muitas consequ?ncias negativas para os pa?ses e para o setor econ?mico global.

BBC Brasil - O senhor conversou sobre o aumento da participa??o de pa?ses emergentes no Fundo com o ministro Mantega? Concorda com a opini?o dele?
Carstens
- Sim, n?s compartilhamos completamente as vis?es. Tanto M?xico quanto Brasil apoiam esse movimento em dire??o a uma participa??o maior de mercados emergentes nas cotas do fundo (participa??o dos pa?ses no capital do FMI). Os dois pa?ses j? tiveram um aumento recente nas suas participa??es, mas novos passos precisam ser dados.

BBC Brasil - Alguns analistas dizem que, devido ? proximidade entre Estados Unidos e M?xico e a alguns de seus trabalhos anteriores, sua gest?o no FMI tende a ser "ortodoxa". Como responde a esses coment?rios?
Carstens
- Primeiro gostaria de saber o que ortodoxo significa (risos). Ao longo de minha carreira, aprendi que a coisa mais valiosa num funcion?rio p?blico ? ser pragm?tico. Mas n?o h? f?rmulas que funcionam todo o tempo, ent?o tamb?m ? preciso pensar de outra forma para alcan?ar os resultados desejados. Ser diretor-gerente do FMI implica ajudar os pa?ses, e essa ajuda costuma se dar num ambiente bem incerto. Portanto, ? preciso ser flex?vel e ter a cabe?a aberta para contemplar solu??es diferentes.

BBC Brasil - Alguns defensores da candidatura da ministra francesa Christine Lagarde dizem que, j? que o Fundo tem lidado diretamente com a crise europeia, ? desej?vel que um europeu comande o ?rg?o. O que acha do argumento?
Carstens
- Acredito que algu?m que venha de outra regi?o, com um ponto de vista mais objetivo, poderia trazer ideias e solu??es que os europeus podem n?o considerar. Especialmente se essa pessoa tiver experi?ncia no gerenciamento de crises, o que eu tenho. Quando a Am?rica Latina estava em maus len??is, o Fundo nos ajudou substancialmente, embora fosse gerido por um europeu. Se um europeu p?de comandar a ajuda ? Am?rica Latina, por que um latino-americano n?o pode ajudar a Europa a sair da crise?

BBC Brasil - O senhor acredita que pode vencer, apesar do apoio recebido por Lagarde entre os pa?ses europeus?
Carstens
- ? um desafio. Estamos tentando quebrar uma tradi??o de 65 anos (desde ent?o, todos os diretores-gerentes do FMI s?o europeus), mas s? h? competi??o porque os pa?ses decidiram que devemos promover um processo transparente e baseado no m?rito. E acho que tenho m?ritos para me tornar o diretor-gerente do Fundo.

BBC Brasil - Brasil e M?xico disputam um papel de lideran?a na Am?rica Latina. Isso pode ser um entrave para que o governo brasileiro apoie sua candidatura?
Carstens
- Acho que h? mais coisas a nos unir do que a nos separar. Ali?s, uma das coisas em que tanto eu quanto o ministro Mantega concordamos completamente ? que precisamos ampliar a voz e a representa??o da Am?rica Latina no Fundo independentemente do resultado deste processo. A regi?o est? sub-representada no Fundo, e com a minha vit?ria daria um grande passo adiante. Mas, mesmo se n?o chegarmos l?, precisamos ganhar mais representatividade por outros meios.

BBC Brasil - Quais s?o os maiores desafios que a economia mundial enfrentar? nos pr?ximos anos?
Carstens
- H? v?rios. Primeiro, precisamos efetuar outras reformas no setor financeiro. Fizemos progresso substancial no planejamento das reformas sobre controle de liquidez, formas de facilitar a solu??o de problemas financeiros, de ajudar institui??es financeiras importantes sob risco. Agora precisamos implement?-las, para que o sistema financeiro n?o seja o elo mais fr?gil da cadeia.

Outra quest?o ? a crise na Europa, onde v?rios pa?ses enfrentam problemas na sustentabilidade de suas d?vidas. E tamb?m h? o desafio de combinar a estabiliza??o em diferentes regi?es do mundo com a capacidade para criar empregos. A falta de emprego nos EUA, na Europa, ou mesmo no norte da ?frica e no Oriente M?dio ? um problema. Precisamos encontrar meios de alcan?ar resultados de longo prazo em termos de estabilidade macroecon?mica, mas, ao mesmo tempo, maximizar a gera??o de empregos.

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