'Cordel Encantado' acerta com tom de f�bula e dire��o requintada

Novela vai ao ar de segunda a sexta, ?s 18h, na Globo. Foto: TV Globo/Divulga??o

Novela vai ao ar de segunda a sexta, ?s 18h, na Globo
Foto: TV Globo/Divulga??o

M?rcio Maio

A sinopse prometia uma hist?ria, ? primeira vista, simples. E Cordel Encantado at? aposta no romance inocente entre pessoas de mundos diferentes, um clich? na dramaturgia. Mas o que se v? na novela assinada por Duca Rachid e Thelma Guedes - que escrevem com Thereza Falc?o o folhetim - ? requinte puro. Desde a escala??o do elenco, cidade cenogr?fica, dire??o de cena e de arte ? edi??o e efeitos visuais, tudo impressiona. Acertos que se refletem na pr?pria audi?ncia, que marca constantemente a m?dia de 28 pontos. Quase sempre encostada em Morde & Assopra, da faixa das 19 horas. M?rito n?o s? do texto do trio feminino, mas tamb?m da dire??o geral incontest?vel de Amora Mautner. O in?cio da carreira ? frente das c?maras hoje certamente favorece seu trabalho. Chega a ser curioso imaginar que tamanha responsabilidade esteja nas m?os daquela jovem iniciante que, atualmente, pode ser vista na reprise de Vamp, na pele da explosiva Paula, no canal Viva.

O mais impressionante ? que Cordel Encantado aposta em tudo que outros autores e diretores n?o quiseram - ou n?o puderam - apostar nos ?ltimos anos. A come?ar pelo retorno da trama de ?poca, abolida pela emissora desde a readapta??o de Ciranda de Pedra, em 2008. A repeti??o de elenco em seu n?cleo central tamb?m parecia depor contra a produ??o, que tirou Cau? Reymond, Bianca Bin e Bruno Gagliasso direto de Passione para interpretarem o mocinho Jesu?no, a rom?ntica A?ucena e o inescrupuloso Tim?teo, escala??es que hoje parecem ter sido feitas sob medida para os pap?is. A inspira??o na literatura de cordel, que poderia se tornar cansativa, ? um charme a mais, principalmente no texto do profeta Migu?zim, defendido com n?tida como??o por Mateus Nachtergaele.

O tom de f?bula ? outra grata surpresa. A estrat?gia traz lembran?as de novelas passadas, mas que n?o s?o esquecidas. Como Que Rei Sou Eu?, do saudoso Cassiano Gabus Mendes. Com um detalhe que, apesar de parecer simples, faz a diferen?a: a maldade n?o est? concentrada em um rei tirano ou uma rainha ambiciosa. Rei, ali?s, que Carmo Dalla Vecchia aproveita para marcar, de vez, sua independ?ncia na televis?o. O ator j? se destacou em outros trabalhos, mas sempre sob a tutela de Jo?o Emanuel Carneiro. O autor deu novo rumo ? carreira do ent?o aspirante a gal? quando o escalou como o aventureiro Luciano de Cobras & Lagartos. De l? para c?, reserva sempre um bom personagem ao veterano, como em A Favorita e A Cura. Mesmo Cama de Gato, que Duca e Thelma escreveram em 2009 e na qual Carmo viveu o adoentado Alcino, contava com a supervis?o de Jo?o Emanuel.

A dose certa de humor e o tom fantasioso se equilibram bem tamb?m com o clima aventureiro que ronda a hist?ria. Um artif?cio bastante usado - e com ?xito de audi?ncia, diga-se de passagem - pela concorrente Record. Mas em Cordel Encantado, ao contr?rio de outras novelas, tais sequ?ncias n?o surgem em v?o. Est?o sempre devidamente inseridas no contexto e de acordo com os rumos que Duca e Thelma tra?am para seus personagens. E, por ser uma trama de ?poca, envolvem muito mais pela emo??o do que por efeitos visuais. O que prova que inserir cenas de a??o em uma novela vai muito al?m de explodir um carro, fechar um t?nel para gravar um tiroteio ou criar in?meras persegui??es sem fundamento pelas ruas do Rio de Janeiro.

Cordel Encantado - Globo - Segunda a s?bado, ?s 18h.

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