Estrela de 'A Mulher Invis�vel', Piovani se diz longe da perfei��o

A atriz interpreta Amanda em A Mulher Invis?vel. Foto: Luiza Dantas/Carta Z Not?cias /Divulga??o

Luana interpreta a personagem Amanda em A Mulher Invis?vel
Foto: Luiza Dantas/Carta Z Not?cias /Divulga??o

M?rcio MaioCom apari??es quase bissextas na televis?o, Luana Piovani transparece que a teledramaturgia ?, sim, capaz de seduzi-la. Tanto que a atriz volta ao ar nesta ter?a, a partir das 23h, na pele da personagem-t?tulo de A Mulher Invis?vel. Mas, depois de 18 anos de carreira - ela estreou em 1993, na miniss?rie Sex Appeal -, o que mais busca ? independ?ncia e satisfa??o, sensa??es que uma novela dificilmente traria.

"Eu poderia faturar tanto quanto outras pessoas da minha gera??o, mas dinheiro n?o significa necessariamente felicidade para mim. Abro m?o dele em troca da minha liberdade. Essa ? uma conta que agrada mais", garante.

Na hist?ria, Luana reencarna a estonteante Amanda, personagem do longa hom?nimo que deu origem ao seriado. A mo?a adora futebol, tem pensamentos devassos e circula pela casa do publicit?rio Pedro, de Selton Mello, sempre com roupas min?sculas e, na maioria das vezes, ?ntimas. Seria perfeita se n?o fosse mero fruto da imagina??o inquieta do rapaz, que ? casado com Clarisse, papel de D?bora Falabella.

"H? um tri?ngulo amoroso, mas a gente n?o assume a infidelidade. A Amanda n?o ? real, ent?o o p?blico n?o condena. N?o ? trai??o", analisa Luana. Para gravar os cinco epis?dios, ela se dedica seis dias por semana, 12 horas por dia, at? o in?cio de junho, quando se encerram as 10 semanas de trabalho previstas. Um per?odo curto e que justifica tamanha torcida por temporadas futuras.

"Na TV, projetos menores me seduzem mais. E temos v?rias possibilidades de hist?rias nesse programa. Estou botando o nome do Guel Arraes e do Cl?udio Torres (diretores e redatores) no mel para dar certo", exagera.

Terra - Voc? come?ou filmando A Mulher Invis?vel e, agora, grava a s?rie. Quais as diferen?as entre os dois formatos?
Luana - Para mim, n?o mudou muito. ? quase o mesmo tempo de trabalho que tivemos. Filmamos o longa em oito semanas. J? a s?rie deve ser finalizada em 10. A qualidade da equipe e do trabalho aqui tamb?m ? muito alta. Todo mundo ? cuidadoso, desde os iluminadores at? o diretor de arte e maquiadores. E a gente tamb?m n?o faz muitas cenas durante o dia, que s?o mais complicadas, o que era uma coisa ?tima durante o filme. Ent?o, n?o sinto tantas diferen?as.

Terra - Interpretar uma mulher que n?o existe no plano real demanda uma aten??o especial?
Luana - At? ? diferente, mas complica mais para os atores que v?o contracenar comigo. Porque eu estou ali, em cena, mas eles precisam se relacionar com um "nada". N?o podem olhar para mim e o ser humano tem reflexos. ?s vezes, voc? ouve um som e, automaticamente, se vira para a dire??o de onde ele vem. Mas isso n?o chega a ser uma dificuldade. Muitas vezes, cria at? um clima engra?ado, porque de vez em quando algu?m se distrai e me olha.

Terra - A Amanda ? o ideal de mulher perfeita criado pelo Pedro. Depois do filme, o ass?dio do p?blico masculino aumentou?
Luana - Tive um retorno de p?blico grande com esse longa, mas n?o era algo que chamava muito a minha aten??o pelo fato de vir em maior n?mero de homens. O que achei bem interessante foi ouvir muitas coisas de crian?as e adolescentes. Essa faixa de p?blico assistiu, gostou e se divertiu. Tem toda a brincadeira de interpretar uma pessoa invis?vel e, ? claro, de ser a bonitona da hist?ria.

Terra - Interpretar uma mulher idealizada como perfeita mexe com sua vaidade?
Luana - ? uma posi??o que me deixa muito lisonjeada, n?o vou negar. Mas devo deixar bem claro que o que ? visto ali demora umas tr?s horas para ficar pronto. Aquilo est? muito longe do que eu sou na vida real. Ali?s, ainda bem que n?o existe uma mulher perfeita. Seria uma injusti?a com todas as outras mulheres, como eu mesma.

Terra - Voc? aparece quase sempre com poucas roupas, usando muitas vezes apenas lingerie. Isso foi uma preocupa??o?
Luana - ? uma grande exposi??o, sem d?vida. Mas eu j? vinha malhando normalmente. Fiz uma cirurgia no p?, tive de passar por um processo de reabilita??o, mas depois que eu consegui voltar a fazer exerc?cios, s? n?o pude continuar o bal? cl?ssico. Eu j? estava fazendo muscula??o e correndo na praia. Quando comecei a gravar, tive de parar de malhar por falta de tempo e, para n?o correr riscos e dar uma secada, s? como carboidratos pela manh?. E conto com uma boa equipe de fotografia, maquiagem, enfim, v?rias pessoas cuidando para que nada saia do lugar no v?deo. Assim, d? para realmente acreditar que a Amanda ? perfeita.

Terra - Como foi o processo de escolha dos figurinos? No filme, voc? usou as suas lingeries...
Luana - ? verdade. Dessa vez, eu comprei tudo, fui ?s compras. At? porque eu j? tinha lido todos os epis?dios e sabia mais ou menos a quantidade de pe?as que precisaria. ? bom porque d? menos trabalho para a figurinista e para mim tamb?m. Lingerie tem de vestir bem e, como fica exposta ali, n?o d? para ser muito pequena ou apertar. Tudo tem de estar favor?vel ao meu corpo. Ent?o, corri atr?s, mostrei o que eu tinha visto e foi tudo aprovado.

Terra - Voc? n?o aceita tantos trabalhos na TV. O que busca para sua carreira?
Luana - Satisfa??o. E isso s? vem com uma boa hist?ria. E tem outro lado: se me prende muito, sem me deixar fazer outras coisas, n?o rola. Para qualquer trabalho, seja de cinema, televis?o ou teatro, eu preciso ler e me imaginar como telespectadora. Tenho de gostar da hist?ria. Isso ? que me bota dentro de um trabalho.

Terra - Recentemente, seus dois primeiros trabalhos na TV foram reprisados no Viva: Sex Appeal e Quatro por Quatro. Voc? chega a analisar a trajet?ria que percorreu de l? at? hoje?
Luana - Nossa, eu me vi em Sex Appeal e foi uma loucura. Penso que estou em um lugar que me satisfaz hoje, mas quero chegar muito mais longe ainda. Quando olho aquelas cenas, de 1993, vejo ali uma menina bem crua, que n?o sabia direito o que estava fazendo, mas que tinha instinto. Lembro de gravar uma sequ?ncia que propagava o uso da camisinha para reduzir o n?mero de casos de HIV. Eu tinha 16 anos, estava com uma camisola de seda, em uma cama com len??is tamb?m de seda, com o Nico Puig de cueca. Eu nunca tinha me deitado com um homem e estava meio horrorizada. E a primeira vez que eu ia deitar com algu?m na cama, com um cen?rio lindo daqueles, era na frente de 30 pessoas e tudo de mentira. E para o pa?s ver.

Terra - Ao contr?rio de v?rias pessoas da sua gera??o, voc? buscou o reconhecimento como atriz fora da TV. Por qu??
Luana - Acho que o teatro traz essa dignidade. A constru??o da minha carreira sempre foi baseada no "devagar e sempre". Tentei nunca dar um passo maior que a perna. Ent?o, vim devagar, fazendo poucos filmes e espet?culos, mas bem selecionados. Hoje deixo para o teatro a realiza??o daquilo que n?o acontece no cinema e na TV comigo. Por isso mesmo eu me produzo. Se fosse esperar algu?m me chamar para fazer O Pequeno Pr?ncipe, ia morrer esperando. O teatro me d? essa autonomia e isso me deixa muito feliz.

Terra - Voc? apresenta atualmente, no GNT, o Superbonita. Tem vontade de apresentar outros programas na televis?o?
Luana - Vontades eu tenho v?rias. Estou com o piloto de um programa infanto-juvenil chamado Xereta h? pelo menos sete anos. J? apresentei para todas as emissoras, mas acho que nenhuma se interessa em investir no p?blico infantil. Preferem comprar um pacot?o de desenhos e colocar no ar j? pronto. Eu tamb?m adoraria fazer o Saia Justa. Quando me chamaram para o Superbonita, perguntei se n?o queriam um pacot?o, tipo dois por um e meio (risos)! Mas era s? piada, porque eu sabia que n?o daria para fazer os dois.

Terra - O que a faz querer tanto trabalhar com o p?blico infantil?
Luana - Olha, d? um trabalho conseguir a grana e juntar gente boa para isso, mas crian?a me encanta demais. Desde a maneira como ela pensa, se expressa, se envolve, aplaude, a roupa que veste para ir assistir ao espet?culo, tudo! Sou muito ligada e apaixonada por elas. Acho at? mais dif?cil prender a aten??o de uma crian?a. E conseguir patroc?nio para trabalhos infantis ? outra coisa complicada. Tenho empresas que me patrocinam desde o in?cio, mas ainda n?o ? uma constante no Brasil. Nem todas as empresas t?m um or?amento voltado para projetos infantis. O que ? um grande erro.

Terra - Voc? fez alguns trabalhos com o Carlos Lombardi. Ele seria capaz de convenc?-la a voltar a fazer novelas?
Luana - Engra?ado voc? dizer isso porque a gente at? se encontrou em S?o Paulo e ele me falou de uma novela dele. Acho que ? para o ano que vem. ? dif?cil dizer, tem umas panelas que a gente fica seduzida a querer entrar mesmo. S? que 11 meses ? bastante, tem de estar tudo muito a favor. Acho que fazendo um contrato onde a gente consiga ter de quinta a domingo livre, pode ser. Mas ficar presa ?nica e exclusivamente em novela me deixa insegura, n?o sei se eu renderia tanto.

Terra - E uma segunda temporada de A Mulher Invis?vel?
Luana - Eu s? penso nisso! Tem de ter outra temporada porque temos muitas ideias! Imagina o dia em que a Clarisse criar o homem invis?vel e ficarem os quatro dentro de casa? Ou quando o Pedro se cansar das duas e aparecer com uma boneca infl?vel? N?o faltam situa??es para serem trabalhadas. Ali, h? um tri?ngulo, mas a gente n?o assume a infidelidade. O p?blico ? a favor da esposa, da mulher, da m?e, a gente compra o barulho da mulher. Mas uma vez que a Amanda n?o ? real, voc? tem um ?libi para fazer funcionar.

Trajet?ria curvil?nea
Luana estreou na TV aos 16 anos, na pele da aspirante a modelo Angel de Sex Appeal, miniss?rie exibida pela Globo em 1993. N?o demorou para cair nas gra?as dos autores e diretores da emissora e ser chamada para Quatro por Quatro, de Carlos Lombardi, quando interpretou a m?dica residente Duda. Seu desempenho foi suficiente para que Lombardi repetisse o convite em Vira-Lata e, logo depois, Luana assumisse um dos pap?is de destaque da miniss?rie Labirinto, de Gilberto Braga. Uma trajet?ria que logo a transformou num dos rostos jovens mais conhecidos do p?blico.

"Sinto falta da ?poca em que eu n?o era conhecida, que eu pegava um ?nibus e ficava com meu walkman, rodando a cidade por v?rios bairros e olhando o mundo passar pela janela", filosofa. No in?cio, Luana ainda n?o sabia exatamente a melhor maneira de trilhar sua carreira. Mas a paix?o pelos palcos logo se destacou, fazendo com que a atriz desistisse das novelas a partir de 2000, depois de finalizar Suave Veneno, de Aguinaldo Silva. Ao contr?rio de colegas como Camila Pitanga e Carolina Dieckmann, com quem dividiu cenas em Sex Appeal. Tudo para se dedicar mais ?s pe?as e ao cinema. "Se voc? faz um longa, filma em umas oito, dez semanas. No teatro, ensaia uns dois meses e, depois da estreia, encena de quinta a domingo. Voc? n?o trabalha onze meses exaustivamente", critica, referindo-se aos folhetins televisivos.

Agenda cheia
A Mulher Invis?vel n?o ? o ?nico compromisso de Luana Piovani em 2011. A atriz deve estrear uma pe?a de Domingos de Oliveira, Turbilh?o, no segundo semestre. E tamb?m lan?a em breve o longa Fam?lia Vende Tudo, de Alain Fresnot. Isso sem contar o Superbonita, programa que apresenta no canal por assinatura GNT e que se prepara para iniciar as grava??es j? da pr?xima temporada. "Eu n?o consigo ficar parada. Quando fico sem fazer nada, tenho a impress?o de que estou perdendo algo", explica.

Trajet?ria Televisiva
# Sex Appeal (Globo, 1993) - Angel
# Quatro por Quatro (Globo, 1994) - Duda
# Vira-Lata (Globo, 1996) - W?nia
# Malha??o (Globo, 1997) - Patr?cia
# Labirinto (Globo, 1998) - Virg?nia
# Suave Veneno (Globo, 1999) - M?rcia Eduarda
# Tudo de Bom (MTV, 2000) - Apresentadora
# O Quinto dos Infernos (Globo, 2002) - Domitila
# S?tio do Picapau Amarelo (Globo, 2003) - Morgana
# Casseta & Planeta, Urgente! (Globo, 2004) - Apresentadora
# Correndo Atr?s (Globo, 2004) - ?rica
# Saia Justa (GNT, 2005) - Debatedora
# Na Forma da Lei (Globo, 2010) - Gabriela
# A Mulher Invis?vel (Globo, 2011) - Amanda

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